Acreditamos que o caminho para a proteção do meio ambiente e o fortalecimento das culturas dos povos indígenas sustenta-se em três pilares: mapeamento, manejo e proteção.
O mapeamento cultural colaborativo contribui para a compreensão dos problemas sociais e ambientais, na medida em que a comunidade organiza o conhecimento do seu território, por meio de debates que envolvem lideranças, idosos, jovens, mulheres.
Quando a comunidade conhece e habita um território tem as condições necessárias para estabelecer normas, manejar sistemas produtivos, implementar metodologias de proteção e melhorar sua qualidade de vida.
Um mapa cultural é um instrumento cartográfico que tem como objetivo demonstrar aspectos culturais, históricos e costumeiros de um território tradicional de um ou vários povos.
O mapeamento cultural pode adquirir uma série de formas, mas os aspectos que o definem são bem claros: é necessário que seja feito pela própria comunidade, combinado com regras cartográficas, para que o resultado final tenha precisão e ordenamento.
Essa ferramenta foi desenvolvida como forma de criar boas políticas para as comunidades, como planos de educação indígena, manejo ambiental e proteção territorial.
Para iniciar um trabalho de mapeamento cultural colaborativo, é preciso atender a dois requisitos básicos:
1: que a comunidade tenha – e reconheça – a necessidade de confeccionar um mapa cultural, de acordo com suas prioridades específicas;
2: que existam as condições mínimas que possibilitem a comunidade acessar e manejar as orientações cartográficas e de pesquisa etnográfica transmitidas pela equipe técnica.
O mapeamento cultural colaborativo é uma ferramenta cartográfica para a produção de mapas que pode ser construída com a elaboração de três oficinas com a comunidade onde está sendo desenvolvida.
A primeira inclui a fase preparatória, a segunda de duas etapas de pesquisa de campo e a terceira uma reunião para a revisão final. Caso seja de interesse da comunidade, uma cerimônia de apresentação e entrega dos mapas.
Todas as fases são elaboradas e feitas com estreita colaboração entre técnicos, lideranças indígenas e outros membros das comunidades. O levantamento dos lugares e informações a serem colocados no mapa, bem como a escolha dos símbolos das legendas e o nome do mapa, é totalmente conduzido pelos próprios pesquisadores e a comunidade.
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