Fonte - Instituto Socioambiental (ISA)
Fundação Nacional do Índio (Funai) agrava crise na região de Altamira, no Pará, logo após sair licenciamento da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte. Sentindo-se desrespeitados e abandonados pelo governo, em função das alterações na administração regional, os índios se manifestaram. Um grupo de indígenas que ocupa, desde o dia 4/2, a sede da Funai em Altamira, em protesto ao licenciamento da usina, divulgou carta enviada ao Presidente da República , com cópia para Funai e Ministério Público, em que exige a anulação do Decreto nº 7.056, que aprova o novo estatuto e quadro de cargos em comissão do órgão e transforma as 45 administrações regionais em 36 coordenações regionais.
Com as mudanças na estrutura organizacional da Funai, previstas no Decreto nº 7.056, de 28 de dezembro de 2009, haverá a extinção da administração executiva de Altamira sem a criação de uma coordenação regional para substituí-la, um dos pontos que incomodam os indígenas que assinam a carta. Os índios também reclamam da falta de processo amplo de consulta livre, prévia e informada, conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O documento exige a anulação do decreto e a exoneração do presidente da Funai, Márcio Meira, além do fortalecimento da Administração Executiva Regional de Altamira com incremento no quadro de pessoal.
A preocupação dos índios com a manutenção de uma estrutura de apoio na região é especialmente relevante em função da perspectiva de construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, cuja licença prévia foi liberada na semana passada (1/2) pelo governo, e que gerará impactos ainda não totalmente mensurados sobre diferentes terras e povos indígenas. O desafio da reestruturação, neste caso, é promover ajustes considerando a situação crítica existente na região.
Leia abaixo a carta assinada pelos povos Xipaia, Curuaia, Xikrin do Bacajá, arakanã, Arara, Arawete, Asurini do Xingu, Juruna e Kayapó Kararaô.
|
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, LUIS INÁCIO LULA DA SILVA.
Com cópia para:
O MOVIMENTO DOS POVOS INDÍGENAS DA REGIÃO DE ALTAMIRA-PA que ocupam por tempo indeterminado a sede da FUNAI em Altamira-PA, desde 04/02/10, representando o conjunto dos Povos Indígenas, através de 09 etnias locais, e mais de 4.000 indígenas, vem por meio deste, TORNAR PÚBLICO A INSATISFAÇÃO COM A APROVAÇÃO DO DECRETO Nº 7.056, de 28/12/10, E A EXTINÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO EXECUTIVA DE ALTAMIRA-PA pelos motivos que passa a expor para ao final exigir: 01. O Decreto foi publicado no DOU em 29/12/09, em pleno recesso legislativo.
1. A aprovação do Decreto não obedeceu ao comando legal estabelecido na Convenção 169 da OIT, acordo internacionalo ratificado pelo Brasil mediante o Decreto nº 5.051, de 19/04/2004. Diante de toda a fundamentação fática, jurídica e de respeito a nós, EXIGIMOS:
1. A anulação do Decreto 7.056, de 28/12/2009, por descumprimento à Convenção 169 da OIT;
Diante do exposto asseveramos ainda que repudiamos a oferta de cargos na FUNAI ou em outros órgãos do governo como forma de suborno ou para prejudicar as negociações com o movimento e em hipótese alguma aceitaremos o fim da Administração Executiva de Altamira nesse momento crucial de nossa história onde nos sentimos abandonados por nosso país. Não obstante estamos abertos a negociar desde que observadas as considerações aqui expostas.
Altamira (PA), 05 de Fevereiro de 2010.
POVOS INDÍGENAS XIPAIA, CURUAIA, XIKRIN DO BACAJÁ, PARAKANÃ, ARARA, ARAWETE, ASURINI DO XINGU, JURUNA e KAYAPÓ KARARAÔ. |
VOLTAR