A nona edição do Fórum Social Mundial (FSM), realizado este ano na cidade de Belém (PA), aguarda pela maior representação indígena desde sua primeira edição, em 2001. Espera-se que cerca de três mil indígenas façam parte das discussões promovidas pelo Fórum que, esse ano terá na pauta de discussões a região Amazônica e o alerta sobre os crimes ambientais que continuam a ameaçar a biodiversidade do território em questão. Para compor a comissão de indígenas que participará das discussões sobre a agenda ambiental, a Equipe de Conservação da Amazônia apóia a participação de representantes indígenas das comunidades Surui, Kariri, Kaxuyana, Tiryó e Apalai.
Para Luiza Viana, assessora jurídica da Equipe de Conservação da Amazônia (ACT Brasil) e responsável pela delegação da organização, o grande número de participantes indígenas deste ano se dá pelo fato do evento ser sediado na Amazônia e tê-la como um dos principais temas do debate. “Esse é um espaço importante para que a causa indígena tome força diante da sociedade civil e dos demais interessados”, afirma a advogada.
Para ela, a ACT Brasil não pode se desvincular das discussões relevantes à causa a qual defende. Para isso, contará com uma infra-estrutura específica montada no local da realização do Fórum onde a delegação vai debater sobre o trabalho desenvolvido junto a comunidades indígenas do estado do Amapá e dar visibilidade dos trabalhos da ACT.
Algumas das principais associações indígenas, como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), partiram para o FSM com uma semana de antecedência. Tudo para garantir a participação no evento. A delegação integrada por mais de 100 lideranças da Coiab, por exemplo, e o Conselho Indígena de Roraima deixaram seus estados na última terça-feira dia 20, rumo ao porto de Belém. O grupo promoveu manifestações públicas em defesa dos direitos indígenas nas cidades localizadas ao longo do trajeto do rio Amazonas, o maior do mundo, no caminho à capital paraense.
Dados da Comissão Indígena do FSM mostram que países como Venezuela, Bolívia e México já têm suas delegações inscritas. Entre as principais estão as representações do Conselho Indigenista Missionário e da Universidade Indígena da Venezuela (UIV). A Suíça também participa com lideranças de uma entidade que trabalha em prol da causa das comunidades tradicionais em todo o mundo.
Saiba mais sobre o Fórum Social Mundial
O FSM é um espaço de importante articulação da sociedade civil em temas relevantes a agenda mundial e hoje é um dos principais eventos de caráter não-deliberativo no mundo. Mesmo assim, o FSM conserva sua principal característica: reunir a maior pluralidade de opiniões, seja de gêneros, etnias, culturas e gerações diferentes na promoção de debates multilaterais e apartidários.
Desde 2001, seus projetos vêm evoluindo no sentido de desenvolver projetos e idéias, além de circular soluções alternativas aos problemas sociais dos países subdesenvolvidos. Foi isso que levou o FSM até a países como Venezuela, Mali, Índia, Quênia e África do Sul nos anos de 2006 e 2007.
Em 2009 o interesse de levar o evento para a região amazônica surgiu da necessidade de alertar a comunidade mundial para os crimes ambientais que a região ainda enfrenta. Mesmo assim, outros assuntos pautarão os debates e oficinas: a atual crise do capitalismo globalizado e a guerra do Oriente Médio.
Mais informações:
Equipe de Conservação da Amazônia (ACT Brasil)
Assessoria de Comunicação
Ana Carolina Kalume e Gustavo Aguiar
(61) 3323-7863
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