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Notícia do dia 28/06/2010

Iphan aprova tombamento de locais sagrados para indígenas


Fonte: Assessoria de Comunicação do Iphan

Foi aprovado na última quinta-feira (24), pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico, o pedido de tombamento apresentado pelas etnias Waurá, Kalapalo e Kamayurá e reforçado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Sendo assim, locais considerados "sagrados" para os indígenas serão considerados e reconhecidos como patrimônio histórico e cultural do país.

Os dois lugares sagrados para as comunidades indígenas do Alto-Xingu, no Mato Grosso, são "Sagihengu" e "Kamukuwaká". Ambos fazem parte do Kwarup, a maior festa ritualística entre os povos do Alto-Xingu – partilhada pelas nove etnias que formam seu complexo cultural –, e estão fora da demarcação do Parque Nacional. O pedido ao Iphan para tombamento dos lugares sagrados foi apresentado em 2008 com a intenção de garantir a conservação e o direito de acesso às comunidades indígenas ao local, além de preservar a cultura nos seus aspectos espirituais e religiosos das comunidades que participam do rito.

Para o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, o tombamento é um marco para os trabalhos da Instituição que está com uma visão mais ampla no que se refere à proteção. “Neste caso do Alto-Xingu, não se pode direcionar a proteção somente à área de arqueologia, até porque a questão cultural é fundamental para a manutenção dos rituais e consequentemente da identidade desses povos”, afirma.

O representante dos 14 povos indígenas do alto-Xingu, Ianacolá Rodarte, índio do Kamayurá, disse que o rito do Kwarup é vital para a existência da comunidade e comparou a importância dos lugares sagrados de Sagihengu e Kamukuwaká como os monumentos não indígenas. “Estes lugares tem a mesma relevância para nós, quanto os lugares sagrados de outros povos como Meca, Jerusalém, Cristo Redentor, etc.”, disse.

Com a redução dos limites originais do parque, inferiores ao território histórico de ocupação indígena, as nascentes do rio Xingu foram ocupadas por pólos agropecuários. Hoje, o parque possui aproximadamente 30 mil km² e abriga 14 povos indígenas, espacialmente divididos entre povos do alto, do médio e do baixo Xingu. Ao longo do trabalho de pesquisa desenvolvido durante quatro anos, o Iphan realizou registros textuais, fotográficos e videográficos para obter uma documentação capaz de refletir o patrimônio estudado, que abrange bens de natureza material e imaterial.


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