Geajir Pinto

Geajir Pinto: o prazer de zelar pelo meio ambiente

 “Eu cuido do meio ambiente não só pensando nas próximas gerações, mas também na nossa, que já está sofrendo bastante com os efeitos da degradação ambiental.”
Geajir Penha Pinto (policial ambiental e guarda-parque no Acre).

A íntima relação de Geajir Penha Pinto, 28 anos, com a natureza levou o jovem acreano, morador da capital Rio Branco, a trilhar uma carreira em defesa do meio ambiente. Primeiro foi sua graduação em Engenharia Agrônoma pela Universidade Federal do Acre. Depois, em 2008, Geajir ingressou na Companhia de Policiamento Ambiental do estado. O policial ainda se pós-graduou em Gestão Ambiental e, em 2009, participou do VI Curso de Guarda-Parques Estadual, em Macapá (AP), promovido pela Equipe de Conservação da Amazônia (ACT Brasil).

Este último, Geajir ficou sabendo por meio de colegas. Policiais de sua corporação conheceram a ACT Brasil em um treinamento em Brasília, e quando voltaram para o Acre contaram ao recém-chegado PM sobre a formação de guarda-parque. Segundo Geajir, o interesse foi imediato, pois o curso poderia ajudar no seu trabalho no policiamento ambiental. “Quando eu vi a grade curricular do curso, tive certeza que queria participar. Trabalho diretamente com áreas de risco ambiental e percebi que várias das disciplinas me ajudariam diretamente no meu trabalho” diz.

Geajir encontrou dificuldades pelo fato de o curso ser realizado em outro estado, mas mesmo assim não desanimou. A viagem de Rio Branco até Macapá foi custeada pela policia militar e a acomodação no período do treinamento ficou, como de costume, a cargo da ACT. Durante o curso, o conteúdo apresentado foi o que mais o impressionou. “No treinamento de guarda-parques a gente vê muitos conteúdos úteis postos em prática. É um conhecimento que vou guardar para sempre”, relata o policial. Segundo ele, a sua visão do trabalho em campo mudou completamente depois do curso. “Os treinamentos de sobrevivência na mata, resgate aquático e aéreo, uso de GPS, dentre outros, me capacitaram para enfrentar diversas situações do meu dia a dia como policial ambiental”, diz. Geajir conta ainda que voltou para casa “muito mais confiante para combater as ameaças ao meio ambiente”.

LEVANDO O CONHECIMENTO PARA OUTRO ESTADO

No estado do Acre quase 60% da área é de floresta preservada. São muitas unidades de conservação e quase todas de grande porte, como a reserva extrativista Chico Mendes que tem cerca de dois milhões de hectares. Com toda essa abundância de floresta, toda melhoria no trabalho de vigilância trás benefícios significativos ao meio ambiente. Geajir percebeu isso e notou que seus aprendizados do curso de guarda-parque seriam bons para todo o batalhão de policiamento ambiental do estado, pois não há no Acre cursos semelhantes. Aprendendo mais sobre a preservação ambiental, ele poderia repassar o conhecimento para seus colegas de profissão.

E foi o que aconteceu. Assim que retornou de Macapá e voltou ao trabalho, Geajir começou a pôr em prática tudo que aprendeu nos 19 dias de treinamento. Em janeiro deste ano, por exemplo, durante uma viagem de barco do batalhão o motor da embarcação estragou. “Eu tive que usar o que aprendi nas aulas de conserto e manutenção de motor de popa para resolver o problema de toda a equipe. Se não fossem esses ensinamentos, teríamos que ter esperado horas por socorro”, comenta o policial.

Aos poucos já não dava mais para desvencilhar as duas funções do jovem ambientalista. Guarda-parque e policial ambiental se tornaram um só para Geajir. “Não são trabalhos separados, um complementa o outro. Claro que o poder de polícia nos dá mais possibilidades para o combate a crimes ambientais, mas o trabalho diário nas unidades de conservação é o mesmo de um guarda-parque” diz o policial.

Geajir foi percebendo, então, que estava mais capacitado para seu trabalho e apto a repassar o seu conhecimento para os outros. Segundo ele, os policiais ambientais recebem capacitações, mas não apreendem todos os conteúdos necessários para o dia a dia na mata. Foi aí que ele buscou transmitir tudo que aprendeu no curso de guarda-parques para seus colegas. “Quando voltei, vários PMs se animaram e alguns já estão até se inscrevendo para outras edições do curso. Mas sempre que posso, tento passar o que sei para os colegas”. O guarda-parque também realiza alguns treinamentos. Agora em julho, por exemplo, atuou como instrutor em um curso para novos PMs ambientais.

O próximo e grande passo que Geajir deseja dar é levar o curso para o seu estado – o treinamento só acontece em Macapá (AP) e recentemente ganhou uma versão em Porto Velho, Rondônia. “Seria a realização de um sonho, mas já estamos negociando com as principais instituições. Quem sabe?”, finaliza Geajir.

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