Bibiana Salgado: Cruzando fronteiras para se tornar uma Guarda-Parque “Minha vida não tem sentido se eu não procurar cuidar, zelar e proteger a natureza. A terra necessita muito da gente” Os limites geográficos e culturais que separam Bogotá, na Colômbia, e Macapá, no Brasil, não foram empecilho para que a jovem colombiana Bibiana Salgado, de 23 anos, viesse até a capital do Amapá participar do VI Curso de Guarda-Parque Estadual, promovido pela ACT Brasil e parceiros, entre 24 de agosto e 12 de setembro de 2009. Mesmo sabendo que enfrentaria dificuldades para chegar ao Brasil, país desconhecido até então, e para compreender os treinamentos em português, língua que ela não conhecia, Bibiana quis vir ao país para se tornar uma guarda-parque. Conseguir fazer o Curso seria para ela “a concretização de um sonho”. O interesse começou quando Bibiana leu, em um site de notícias brasileiro, uma matéria sobre o treinamento. Recém-formada em Biologia pela Universidade Distrital Francisco José Caldas, em Bogotá, e interessada por questões ambientais desde a infância, em que brincava com os cachorros na fazenda de seu avô, Bibiana procurou saber mais sobre essa capacitação de agentes ambientais que acontecia aqui no Brasil. Para isso, entrou em contato com a ACT. “Explicaram-me sobre o Curso e eu gostei mais ainda”, lembra a moça. A disposição da jovem bióloga em vir ao Brasil participar da capacitação tem uma justificativa: Bibiana é apaixonada pelo meio ambiente, em especial pelo cuidado e proteção dos animais. Na graduação, sua tese final foi sobre cachorros do mato, espécie comum no Parque Natural Chingaza, na Colômbia, onde voluntariava como promotora ambiental. Aliás, essa função ela havia adquirido por meio de um curso promovido pelo Ministério do Meio Ambiente de seu país. UMA AVENTURA - Decidida a vir para o Brasil, restou à jovem saber como fazer a viagem. Bibiana conta que “não conhecia nada, nem ninguém no Brasil”. Sua vinda foi, como ela mesma define, “uma aventura”. O primeiro passo foi enfrentar a vinda até Macapá, que contou com trechos de avião, barco e ônibus. Somente de Bogotá até Manaus, sua primeira parada, foram 15 dias em uma embarcação. A colombiana ainda teve que fazer outra parada em Belém (PA) antes de chegar a Macapá. Arrumar um lugar para ficar no Brasil depois do curso foi outra prova de fogo para Bibiana. Durante o treinamento, o alojamento era de responsabilidade da ACT, mas como a jovem pretendia ficar um pouco mais no Brasil, chegou a contar com o apoio de funcionários para se instalar depois dos 19 dias da capacitação.
O esforço da colombiana continuou durante o curso em si. Uma dificuldade surgiu logo no início: a língua, já que não tinha o domínio do português. Bibiana ainda sofreu um pouco com as disciplinas mais práticas, como salvamento, combate ao fogo, entre outros. Apesar de formada em biologia, a jovem não tinha tido até então experiências práticas de como é a vida na mata. “Só fui obter experiência em campo com o curso de Guarda-Parque. Com tudo que passei no treinamento, aprendi que eu tinha que ser forte”, diz Bibiana. A moça conta que ficou fascinada com algumas disciplinas, como radiocomunicação. “Foi ótimo aprender a fazer antenas e aprender comunicação com códigos internacionais”, diz a moça. Bibiana ainda teve a chance de, ao final do curso, desenvolver um trabalho voluntário na Área de Proteção Ambiental (APA) de Curiaú (AP). Foi o momento de pôr em prática todo o conhecimento adquirido no curso. Após o treinamento e o período de trabalho na APA do Curiaú, Bibiana voltou ao seu país de origem, e continuou a trabalhar de forma voluntaria com educação ambiental, principalmente em áreas do Páramo, um ecossistema andino presente na Colômbia. “Eu ainda tenho a vontade de trabalhar diretamente em campo, com a preservação ambiental, colocando em prática os conhecimentos adquiridos no curso. Mas já me sinto satisfeita em ensinar. Fiz licenciatura em Biologia para isso, para repassar os conhecimentos de cuidado com o meio ambiente para os outros”, conta. Seu próximo desafio será representar a Colômbia em um Congresso sobre Biodiversidade no Japão. Quando voltar, a jovem colombiana vai dar continuidade aos estudos, cursando um mestrado no México. Voltar ao Brasil é um dos seus planos a médio prazo. “Não tenho parentes no Brasil, mas muitos amigos por aí. Pretendo voltar assim que puder”, finaliza Bibiana. Confira mais Guarda-Parques Lilian Sales Juventino Kaxuyana Sergio André Richarde Lopes |
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