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Juventino Kaxuyana: o cuidado com o meio ambiente e a cultura do seu povo “Busco proteger a natureza porque é dela que vem o sustento e a sobrevivência da minha comunidade” Mesmo morando na capital do Amapá, Macapá, a cerca de 500 quilômetros de sua aldeia, o índio Juventino Pessirima Kaxuyana, vive para sua comunidade. Aos 47 anos, casado e pai de sete filhos, Juventino é, desde 2004, presidente da Associação dos Povos Indígenas Tiriyo, Kaxuyana e Txikuyana (Aptikatxi). O espírito de liderança e a preocupação com o seu povo e sua terra também o levaram a outra missão: proteger o meio ambiente. Foi essa determinação que o fez participar e a se formar pela primeira turma do curso de Guarda-Parque Indígena, em 2005, treinamento promovido pela Equipe de Conservação da Amazônia (ACT-Brasil), em parceria com outras instituições. Desde então, o líder indígena atua voluntariamente como defensor da floresta. No curso, Juventino pôde, como ele mesmo lembra, aprender um pouco mais sobre as tecnologias (computador, GPS, rádio) e como usá-las a favor da preservação do meio ambiente. No conteúdo ministrado ainda havia noções de legislação ambiental, ecoturismo dentro outros assuntos. O índio Kaxuyana soube multiplicar o conhecimento adquirido em sua formação. “O povo indígena sempre buscou proteger a floresta, mas faltava conhecimento de como fazer da melhor forma. Com o que aprendi no treinamento de guarda-parque pude passar isso para a minha comunidade”, ressalta. Para Juventino, preservar a natureza é um dos deveres de todos os índios. “No mundo do não-indígena, o desmatamento e a falta de cuidado com o meio ambiente é muito grande. Nós precisamos cada vez nos proteger e preservar o ambiente em que vivemos” diz o Kaxuyana. ROTINA DE UM LÍDER - Hoje, Juventino é o coordenador de campo dos guarda-parques no oeste do Parque Indígena do Tumucumaque, no Amapá. Apesar de não atuar diretamente na floresta, ele é o responsável pelo controle contínuo dos trabalhos daqueles que ficam na mata. Ele ainda participa regularmente de outras edições do curso de guarda-parques como monitor e palestrante, sempre repassando o conhecimento e dividindo as suas experiências no dia a dia da função. Porém, uma vez por ano é hora de ir até a aldeia. Geralmente em setembro – “é quando o rio está mais baixo e a navegação mais segura”, argumenta Juventino - acontecem expedições anuais no parque para ver como anda o trabalho em campo. Após uma viagem de ônibus até Laranjal de Jari, ele vai de avião até a aldeia. Lá se reúnem todos os guarda-parques da região para analisar as principais demandas, antes de viajarem de barco, mata a dentro. “Quando partimos para a vistoria do parque, o trabalho é duro, a área é muito grande”, diz. Ele conta que na última expedição, realizada em setembro de 2009, seu grupo passou 28 dias na mata. “Mas é só assim que podemos ver de perto o que acontece na floresta”. Uma das principais ocorrências é o tráfico de animais. Segundo ele, é comum tomar conhecimento de animais sendo levados do Brasil para o Suriname. E é no combate a essa prática que o trabalho dos guarda-parque na região se intensifica. O índio Kaxuyana ainda vê dificuldades no trabalho, mas as reconhece como obstáculos a serem superados. O principal deles, segundo Juventino, é o trabalho intenso e contínuo de orientar seu povo e conquistar a confiança de todos, pois ele reconhece a importância de que todos participem da preservação do meio ambiente local. Em meio a tantos desafios, algo maior o move em sua missão: “o amor à comunidade, à natureza e à cultura”. Confira mais Guarda-ParquesBibiana Salgado Lilian Sales Sergio André Richarde Lopes |
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