Sérgio André: a paixão pelo meio ambiente “A gente passa a amar o que faz, sinto-me um ambientalista, A conversa flui em plena harmonia quando os olhos de um de seus interlocutores brilham ao falar de determinado assunto. Esse brilho, misturado a empolgação da voz, provoca no outro personagem do diálogo uma sensação de completo encantamento. É um privilegiado quem pôde ouvir o Guarda Municipal, Sérgio André Silva dos Santos, de 37 anos, falar do apaixonante trabalho que desenvolve em Macapá (AP). Mas antes que o leitor questione o amor dele pela profissão, é importante dizer que, atualmente, Sérgio é guarda duas vezes (guarda municipal e guarda-parque) e faz parte do Grupamento Ambiental da capital do Amapá, especializado em zelar para que as leis ambientais do município sejam respeitadas. Pode-se imaginar o porquê de tamanho carinho pelo trabalho. As atribuições de um guarda do Grupamento Ambiental consistem em patrulhar, fiscalizar e preservar a cidade para evitar incidência de crimes contra a natureza. Interessado em expandir seus conhecimentos, Sérgio procurou novas formas de aprendizado até conhecer o Curso de Guarda-Parques. “Vi propagandas na cidade e acreditei que poderia ser um incentivo para o trabalho”. Logo estava inscrito na turma de outubro de 2007. O que ele não imaginava é que o curso iria muito além do aperfeiçoamento. As atividades realizadas abriram espaço para uma verdadeira vocação. “A gente passa a amar o que faz, sinto-me um ambientalista, sou um entusiasta”, define-se. Transmitir valores, para aprimorar a consciência ambiental das pessoas, tornou-se um hábito e não uma exigência da profissão. DESAFIOS - Engajado, ele contou da sua decepção ao ver questões tão importantes serem tratadas com total descaso pelas autoridades. O Parque das Montanhas de Tumucumaque, no estado do Amapá, é um exemplo da falta de ação pela preservação da área. “Este parque nacional é o maior do mundo e só quatro pessoas foram designadas pelo Ibama para trabalhar lá, onde deveria ter no mínimo quatro mil servidores. Registramos inúmeros casos de crimes contra o meio ambiente – pistas de pouso clandestinas, roubo de urânio, biopirataria”, madeireiras exemplifica. Outro problema apontado por Sérgio é a falta de reconhecimento da profissão de guarda-parques no Amapá. “Em outros estados já reconhecem a profissão, sendo que os beneficiados são pessoas da própria comunidade. Aqui no Amapá quem faz o serviço de guarda florestal, geralmente, é militar. Por que não capacitar às pessoas que estão inseridas nas unidades de conservação ou no entorno, para que elas possam realizar os trabalhos de guarda?”. Segundo Sérgio, as lideranças alegam que muitos são analfabetos ou não possuem capacidade para tal função, “mas são essas pessoas as que mais conhecem e amam a região”, explica. TRABALHO, SONHO E FAMÍLIA - Sérgio trabalha na guarda municipal em escala de 12h por 24h, e nas folgas dedica-se a um novo objetivo: entrar para a faculdade. “Quero cursar biologia ou algum outro curso na área ambiental para me aprofundar cada vez mais no assunto”, revela o guarda, que foi monitor e hoje também é instrutor do Curso de Guarda-Parques. Pai do garoto Sávio André, de 12 anos, Sérgio, sempre que tem oportunidade, leva o menino para passeios ecológicos em Macapá, como o Parque Zoobotânico. “Uma das coisas que ensinei ao meu filho e alguns colegas dele foi como usar o GPS, à preservar o meio ambiente, aprendizado valioso adquirido no Curso de Guarda-Parques”. Confira mais Guarda-ParquesBibiana Salgado Lilian Sales Juventino Kaxuyana Richarde Lopes |
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