Richarde Lopes

Richarde Lopes: uma vida dedicada ao meio ambiente

 “O que fizermos hoje pela natureza não será para nós, mas para nossos filhos”
Richarde Lopes (Guarda-parque no Parque Zoobotânico de Macapá).

Tocar o coração das pessoas. Esta é uma das principais estratégias de Richarde Lopes, 34 anos, por meio de seu trabalho como guarda-parques, para sensibilizar sua comunidade a respeito da importância de preservar o meio ambiente.

Há 12 anos, este brasileiro do norte, e de nome “gringo”, diga-se de passagem, trabalha no Parque Zoobotânico de Macapá. E foi lá, em meio a rondas diárias para a proteção da reserva, que conheceu o Curso de Guarda-Parques. A capacitação é realizada desde 2005, pela Equipe de Conservação da Amazônia – ACT Brasil, em parceria com diversas instituições, que tem como principal objetivo a formação de “protetores da biodiversidade” com o intuito de preservar o local em que vivem. Incentivado pela diretora do Parque Débora Thomaz, tornou-se aluno do curso que aconteceria pela primeira vez na cidade de Macapá, no ano de 2006.

Richarde aprendeu muito nas mais de duas semanas de aulas, oficinas e palestras. De Ecoturismo e Zoobotânica, a técnicas para utilizar o GPS e Educação Ambiental. “Mais que patrulhar, monitorar e melhorar meu trabalho, entendi que o importante é conscientizar as pessoas para uma mudança de atitude, para que possamos preservar o meio ambiente”, avalia.

ROTINA – O dia do guarda-parque na reserva começa às 8h. Sua primeira função é vistoriar os 112Ha do parque que incluem a mata e o Zoológico. “Às vezes encontro alguma coisa errada como, por exemplo, uma quadrilha que descobri que roubava bicicletas na cidade e parava no parque para tirar as peças”, conta Richarde que, neste caso, teve que acionar a polícia. Depois da vistoria, vai para sua sala e prepara um relatório da primeira ronda, descansa e parte para mais uma “olhada” no parque.

Além de vigiar a área durante a semana, Richarde também acompanha os turistas que visitam o Zôo. E é aí que ele mais gosta. “A matéria que mais me identifiquei do Curso de Guarda-Parques foi o Ecoturismo, pois agora posso mostrar aos visitantes a biodiversidade amazônica com mais segurança e propriedade”, revela.

Duas abordagens do trabalho que Richarde executa e que o faz se sentir orgulhoso são a patrulha nas regiões próximas e o ensino às comunidades. “Agora sei como tratar cada freqüentador do parque. Há aqueles que vêm aqui para passear, conhecer e estudar. Mas também têm os que aparecem para levar frutos, desmatar e caçar animais”. A prática trouxe ensinamentos preciosos. “Para cada pessoa há um tratamento específico, que é feito de acordo com o comportamento de cada um. Aprendi, por exemplo, que não posso repreender aquele que quer levar um caixo de bacaba para alimentar sua família, mas se fossem 100 caixos seria bem diferente”, explica.

DE PAI PARA FILHO - Com 12 anos de experiência com atividades relacionadas ao meio ambiente, quatro deles junto aos guarda-parques, o amapaense colhe os frutos de um trabalho dedicado à consciência ambiental.

Pai de um menino de 12 e de uma menina, “que ainda está na barriga da mãe”, Richarde conta que, além do filho aprender como deve agir para não maltratar a natureza, o pequeno ainda o acompanha nos cursos de Guarda-Parques, onde hoje é instrutor. “Ele fica até dois dias comigo nas atividades, escutando e participando”, diz. E lembra que uma das principais coisas que o filho aprendeu é a reciclar. “Há um tempo, íamos ao mercado e pegávamos aquele monte de sacolas plásticas. No dia seguinte voltava lá para comprar mais alguma coisa e trazia mais uma porção”. Com o passar do tempo o pai conseguiu ensinar ao filho que o certo é reutilizar as sacolas nas compras e pegar o mínimo possível delas.

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